Em episódio do podcast OncoPod, a Dra. Christiana Vanni, cirurgiã de Cabeça e Pescoço fala sobre sintomas, diagnóstico, cirurgia robótica e a vida depois do tratamento
Uma dor de garganta que insiste em não passar, uma amígdala que parece maior de um lado ou um caroço no pescoço que surgiu sem explicação. Sinais assim costumam ser atribuídos a uma inflamação comum, e na maioria das vezes são mesmo. Mas existe uma doença que pode começar de forma parecida e que merece atenção: o câncer de amígdala, cada vez mais associado ao HPV.
Para esclarecer as dúvidas mais frequentes sobre o tema, a Dra. Christiana Vanni, cirurgiã de Cabeça e Pescoço do ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), participou do episódio "Câncer de amígdala" do OncoPod. Em uma conversa clara e acessível, ela explica onde fica a amígdala, como surge o câncer nessa região, qual a relação com o HPV, como é feito o diagnóstico e o que muda com a cirurgia robótica.
Ouça o episódio do OncoPod sobre câncer de amígdala
O episódio tem cerca de 24 minutos e pode ser ouvido diretamente aqui no blog ou no Spotify:
Se preferir, acesse o episódio pelo link: OncoPod: Câncer de amígdala, com a Dra. Christiana Vanni.
Onde fica a amígdala e o que é o câncer de orofaringe
As amígdalas, chamadas tecnicamente de tonsilas palatinas, ficam no fundo da boca, uma de cada lado da garganta. Elas fazem parte da orofaringe, região que também inclui a base da língua, o palato mole e as paredes da garganta. Por isso, o câncer de amígdala é classificado dentro do grupo dos cânceres de orofaringe, um dos tipos de câncer de cabeça e pescoço.
Durante muito tempo, esse tipo de tumor esteve ligado principalmente ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool. Esses fatores continuam importantes, mas o perfil dos pacientes mudou nas últimas décadas, e o principal responsável por essa mudança tem nome: HPV.
A relação entre HPV e câncer de amígdala
O HPV (papilomavírus humano) é um vírus muito comum, transmitido principalmente pelo contato íntimo, incluindo o sexo oral. Na grande maioria das pessoas, a infecção é eliminada naturalmente pelo organismo, sem causar nenhum problema. Em uma parcela pequena, porém, o vírus permanece por anos nas células da orofaringe e pode desencadear alterações que levam ao câncer. O tipo mais associado a esses tumores é o HPV 16.
O câncer de amígdala relacionado ao HPV costuma atingir pessoas mais jovens do que o câncer causado pelo cigarro, muitas vezes sem histórico de tabagismo. A boa notícia é que, de modo geral, esses tumores respondem melhor ao tratamento e têm prognóstico mais favorável.
Outro ponto essencial é a prevenção. A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos na faixa etária indicada pelo Ministério da Saúde. Vacinar crianças e adolescentes é uma forma eficaz de reduzir, no futuro, os casos de câncer de orofaringe e de outros tumores ligados ao vírus.
Dor de garganta que não passa: quando a inflamação pode ser um tumor
Um dos temas mais importantes do episódio é a diferença entre uma amigdalite comum e um possível tumor de amígdala. A inflamação costuma vir acompanhada de febre, atinge os dois lados e melhora em poucos dias. Já alguns sinais merecem avaliação de um especialista, principalmente quando persistem por mais de duas ou três semanas:
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Dor de garganta que não passa, especialmente de um lado só;
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Amígdala inchada de um lado só ou com aspecto diferente da outra;
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Caroço no pescoço (nódulo) que não regride, muitas vezes indolor;
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Dor no ouvido sem infecção no próprio ouvido;
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Dificuldade ou dor para engolir;
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Sangramento na saliva, mau hálito persistente ou alteração na voz.
Ter um desses sintomas não significa ter câncer, mas a persistência é o sinal de alerta que justifica procurar um cirurgião de cabeça e pescoço.
Por que alguns casos de câncer de amígdala passam despercebidos
No câncer associado ao HPV, é comum que o tumor na amígdala seja pequeno e quase não cause sintomas na garganta. Muitas vezes, o primeiro sinal percebido é um nódulo no pescoço, que corresponde a um linfonodo já comprometido. Como esse caroço costuma ser indolor e aparece em pessoas jovens e saudáveis, pode ser confundido com uma íngua ou uma inflamação passageira.
Além disso, a localização da amígdala, escondida no fundo da garganta, dificulta a autopercepção de alterações. Por isso, sintomas persistentes não devem ser normalizados, e a avaliação especializada faz toda a diferença para um diagnóstico mais precoce.
Como é feito o diagnóstico do câncer de amígdala
O diagnóstico do câncer de amígdala começa com uma consulta detalhada e o exame físico da boca, da garganta e do pescoço. A partir daí, o especialista pode indicar:
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Nasofibrolaringoscopia, exame com uma câmera fina que permite visualizar toda a garganta;
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Biópsia da lesão ou punção do nódulo no pescoço, que confirma o diagnóstico;
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Pesquisa da relação com o HPV no material da biópsia, geralmente pelo marcador p16;
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Exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética e, em alguns casos, PET-CT, para avaliar a extensão da doença.
Com essas informações, a equipe multidisciplinar define o estadiamento e o plano de tratamento mais adequado para cada paciente.
Cirurgia robótica no câncer de amígdala: o que muda
O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia, isoladas ou combinadas. Nos casos com indicação cirúrgica, a cirurgia robótica transoral representa um grande avanço. Nela, o tumor é retirado pela própria boca, com braços robóticos e uma câmera de alta definição que oferecem visão ampliada e movimentos precisos em uma região de difícil acesso.
Em comparação com as técnicas abertas tradicionais, a cirurgia robótica de cabeça e pescoço evita cortes externos na mandíbula e no pescoço para chegar ao tumor, tende a proporcionar recuperação mais rápida e contribui para preservar funções essenciais, como a deglutição e a fala. Em pacientes selecionados, também pode ajudar a reduzir a intensidade dos tratamentos complementares.
Se você tem sintomas persistentes ou recebeu um diagnóstico recente, a Dra. Christiana Vanni pode avaliar o seu caso e orientar sobre as melhores opções de tratamento. Agende sua consulta.
Alimentação, fala e vida social depois do tratamento
Uma das maiores preocupações de quem recebe o diagnóstico é como será a vida depois. No episódio, a Dra. Christiana Vanni aborda como ficam a alimentação, a fala e a vida social após o tratamento do câncer de amígdala.
A recuperação é um processo gradual e conta com o apoio de uma equipe multiprofissional, com fonoaudiólogos, nutricionistas, dentistas e psicólogos. A reabilitação da deglutição e da fala, o acompanhamento nutricional e o cuidado com a saúde bucal ajudam o paciente a retomar a rotina com mais segurança. Com o tratamento adequado e o acompanhamento correto, a maioria das pessoas consegue voltar a comer, conversar e conviver com qualidade de vida.
Mitos e verdades sobre câncer de amígdala e HPV
A conversa no OncoPod também desmistifica crenças que ainda circulam sobre a doença. Algumas das mais comuns:
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"Só fumantes têm câncer de garganta." Mito. O tabagismo é um fator de risco importante, mas o câncer de orofaringe relacionado ao HPV atinge também pessoas que nunca fumaram.
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"HPV só causa câncer de colo do útero." Mito. O vírus também está associado a tumores da orofaringe, do ânus, do pênis, da vulva e da vagina, em homens e mulheres.
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"Quem tem HPV vai ter câncer." Mito. A maioria das infecções é eliminada pelo organismo, e apenas uma pequena parcela evolui para câncer.
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"Câncer de amígdala não tem tratamento." Mito. Quando diagnosticado e tratado por equipe especializada, o câncer de amígdala tem altas chances de controle, especialmente nos casos relacionados ao HPV.
Para quem é este episódio do OncoPod
O episódio foi pensado para quem já teve aquela dor de garganta que não passa, para quem quer entender melhor a relação entre HPV e câncer de amígdala, para quem está em tratamento e para familiares e cuidadores que buscam informação de qualidade. Informação confiável ajuda a reconhecer sinais de alerta, reduz o medo diante do diagnóstico e fortalece a parceria entre paciente e equipe médica.
Agende sua avaliação com especialista em câncer de amígdala
A Dra. Christiana Vanni é cirurgiã de Cabeça e Pescoço e oncologista cirúrgica, com atuação no ICESP e ampla experiência no diagnóstico e tratamento do câncer de amígdala e de outros tumores da orofaringe, incluindo a cirurgia robótica transoral. Seu atendimento une precisão técnica, tecnologia e um olhar acolhedor para cada paciente e sua família, do diagnóstico à reabilitação. Se você convive com uma dor de garganta persistente, notou um caroço no pescoço ou já recebeu um diagnóstico e busca uma segunda opinião, não adie essa conversa. Agende sua consulta com a Dra. Christiana Vanni, que atende presencialmente em São Paulo - SP e online para todo o Brasil e exterior.
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Texto escrito por:
Dra. Christiana VanniMédica Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço
CRM/SP 120.060 - RQE 31.305
A Dra. Christiana Vanni é Médica Cabeça e Pescoço especialista em cirurgia e tratamentos oncológicos pela FMABC, pós graduada em Cirurgia Robótica de Cabeça e Pescoço pelo Hospital Israelita Albert Einstein, possui título de Doutorado pela FMUSP.
Cirurgia Robótica, Reconstrução e Tratamentos Oncológicos
Excelência em diagnósticos e tratamentos precisos, com técnicas cirúrgicas modernas e tecnologia de ponta.
Atendimento particular nos consultórios da Vila Mariana e Itaim Bibi e também na modalidade on-line, para pacientes em todo o Brasil e exterior. Credenciada nos melhores hospitais de São Paulo/SP, com ampla atuação na cidade.
Perfil: Conheça a Dra. Christiana Vanni
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/0015992915263064
Doctoralia: https://www.doctoralia.com.br/christiana-vanni
Linkedin:
@drachristianavanni