Verruga na Boca: HPV, Fotos e Tratamento
Notar uma verruga, caroço, bolinha ou elevação dentro da boca costuma causar apreensão. Embora, na maioria das vezes, essas lesões sejam benignas, algumas podem estar relacionadas a infecções virais como o HPV (papilomavírus humano) e, mais raramente, indicar o início de uma alteração potencialmente maligna.
Por isso, compreender o que é uma verruga (papiloma) na boca, como surge e qual o tratamento mais adequado é fundamental para manter a saúde oral e prevenir complicações. No post de hoje, a Dra. Christiana Vanni, cirurgiã especialista em cabeça e pescoço, vai explicar tudo sobre verrugas na boca: com fotos, causas, relação com o HPV e as opções seguras de tratamento.
Verruga na boca: o que pode ser?
A verruga na boca é uma lesão benigna que se apresenta como uma pequena elevação na mucosa oral, geralmente de cor branca, rosada ou acinzentada, com superfície rugosa ou aspecto semelhante a uma “couve-flor”.
Na maioria dos casos, trata-se de um papiloma escamoso, um tipo de crescimento epitelial benigno causado pela infecção pelo HPV, especialmente pelos subtipos 6 e 11, considerados de baixo risco oncológico. Já os subtipos 16, 18 e 31 do HPV estão associados a lesões potencialmente malignas.
Essas verrugas orais podem surgir em diferentes locais, como lábios (internos ou externos), língua, bochechas (mucosa jugal), gengiva e céu da boca (palato).
Apesar do aspecto benigno, é importante investigar a origem da lesão e descartar outras condições da mucosa oral que podem ter aparência semelhante, mas com maior potencial de malignização, como leucoplasias, eritroplasias e líquen plano oral.

Foto Hpv na Boca (papiloma)
Verruga na boca HPV
O HPV (Papilomavírus humano) é a principal causa das verrugas na boca e na mucosa oral. Essa infecção viral ocorre por meio de contato direto com áreas contaminadas, o que pode acontecer através do beijo, do sexo oral desprotegido ou até mesmo do compartilhamento de utensílios como copos e talheres.
Existem mais de 200 subtipos de HPV, e alguns deles têm tropismo específico pela mucosa oral. A infecção geralmente se manifesta como verrugas esbranquiçadas, únicas ou múltiplas, de crescimento lento, que podem surgir nos lábios, bochechas, língua, palato ou gengiva.
Embora muitas infecções sejam assintomáticas e o sistema imunológico consiga eliminar o vírus naturalmente, certos subtipos de alto risco, como o HPV 16 e o 18, estão associados ao desenvolvimento de cânceres de orofaringe, base da língua e amígdala. Por isso, qualquer alteração suspeita na boca deve ser avaliada por um especialista com urgência.
Além do risco oncológico, a persistência do HPV na mucosa oral pode indicar uma falha imunológica ou reinfecção recorrente, sendo fundamental o acompanhamento médico para investigação e definição do melhor plano terapêutico que pode incluir remoção cirúrgica da lesão, crioterapia, laser ou monitoramento clínico, dependendo do caso.
Outras Causas de Verruga e lesões na Boca
Embora o HPV seja o principal agente causador, outras condições também podem provocar lesões semelhantes a verrugas na boca:
-
Microtraumas repetitivos na mucosa (como o hábito de morder bochechas ou uso inadequado de escovas duras);
-
Irritação crônica causada por próteses mal adaptadas, aparelhos ortodônticos ou mordidas repetitivas;
-
Baixa imunidade, seja por doenças ou uso de medicamentos imunossupressores
-
Doenças autoimunes, como o líquen plano oral ou lúpus eritematoso;
-
Tabagismo e alcoolismo, que fragilizam e inflamam a mucosa oral, predispondo a lesões proliferativas.
Cada caso deve ser analisado individualmente, com exame clínico detalhado e, quando necessário, biópsia para confirmação diagnóstica. Mesmo lesões aparentemente benignas podem esconder alterações importantes, como displasias ou até neoplasias iniciais.
Verruga ou câncer de boca: como diferenciar?
É natural se preocupar com a possibilidade de uma lesão maligna na boca, e, de fato, alguns tumores iniciais podem se parecer com verrugas. Sinais de alerta que indicam a necessidade de investigação incluem lesão que cresce rapidamente ou muda de cor, presença de ferida que não cicatriza, sangramento espontâneo, dor persistente, endurecimento da área e alterações na fala ou deglutição. Nesses casos, o ideal é procurar um cirurgião de cabeça e pescoço, que avaliará a necessidade de realizar uma biópsia, exame fundamental para confirmar o diagnóstico e afastar qualquer suspeita de câncer.
Fotos de verruga na boca
Abaixo, compartilhamos fotos reais de casos clínicos de verrugas na boca, com o objetivo educativo de facilitar a identificação visual de possíveis lesões relacionadas ao HPV ou outras causas.
É importante lembrar que essas imagens servem apenas como referência. Muitas lesões orais podem ter aparência semelhante, e somente uma avaliação médica especializada pode oferecer um diagnóstico preciso e seguro, às vezes, sendo necessário biópsia. Não se automedique e, ao notar qualquer alteração na mucosa da boca, procure um profissional qualificado em Cirurgia de Cabeça e Pescoço.

Foto Hpv na Boca (papiloma)

Foto Hpv na Boca (papiloma)

Foto Hpv na Boca (papiloma)

Foto Hpv na Boca (papiloma)

Foto Hpv na Boca (papiloma)

Foto Hpv na Boca (papiloma)
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico de verrugas na boca deve ser feito de forma criteriosa por um especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço ou Estomatologia, sempre iniciando por uma avaliação clínica detalhada. Esse processo envolve:
-
Inspeção visual minuciosa da mucosa oral, para identificar alterações em cor, forma, relevo e textura;
-
Palpação da lesão e áreas adjacentes, a fim de avaliar consistência, aderência e sensibilidade;
-
Exame estomatológico completo, incluindo gengivas, palato, bochechas, língua, assoalho bucal, lábios e orofaringe até a laringe.
A depender do aspecto clínico da lesão, o especialista pode indicar a realização de uma biópsia, que pode ser:
-
Excisional – quando a lesão é pequena e removida por completo para análise;
-
Incisional – quando se retira apenas uma amostra da lesão para investigação, útil em casos maiores ou de localização delicada.
Além disso, em situações em que há suspeita de infecção por HPV, podem ser solicitados testes laboratoriais específicos, como a detecção de DNA viral por PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que ajuda a identificar o subtipo do vírus presente.
A biópsia histopatológica é considerada o padrão ouro do diagnóstico, mesmo em lesões aparentemente benignas, pois garante:
-
A confirmação da natureza da lesão (benigna, displásica ou maligna);
-
A exclusão de diagnósticos diferenciais, como líquen plano, leucoplasias, candidíase ou neoplasias;
-
A avaliação de risco de transformação maligna, especialmente em pacientes com histórico de tabagismo, alcoolismo ou infecção por HPV de alto risco.
Dessa forma, o diagnóstico preciso permite ao médico estabelecer o tratamento mais adequado e seguro, respeitando a individualidade de cada paciente e reduzindo riscos de recidiva ou complicações.
O diagnóstico de verrugas na boca deve ser feito de forma criteriosa por um especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço ou Estomatologia, sempre iniciando por uma avaliação clínica detalhada.
Em alguns casos, o médico deve solicitar a pesquisa de p16 por imuno-histoquímica, utilizada como marcador substituto da atividade oncogênica do HPV. A superexpressão da proteína p16INK4a ocorre quando o vírus interfere nos mecanismos de controle celular, sendo um indicativo de infecção por subtipos de alto risco. No entanto, é importante destacar que a positividade para p16 não confirma isoladamente a infecção pelo HPV, nem está presente nos papilomas orais benignos, geralmente causados pelos tipos 6 e 11. Por isso, o resultado deve ser interpretado em conjunto com a análise histopatológica e, quando necessário, confirmado por testes moleculares específicos, como a PCR para DNA viral.
Dessa forma, o diagnóstico preciso permite ao médico estabelecer o tratamento mais adequado e seguro, respeitando a individualidade de cada paciente e reduzindo os riscos de recidiva ou complicações.
Como tirar uma verruga na boca?
O tratamento das verrugas orais depende de uma avaliação cuidadosa, considerando fatores como localização, extensão, resultado da biópsia, número de lesões e a saúde geral do paciente. A seguir, explicamos os principais métodos utilizados por especialistas, sempre com foco na segurança, eficácia e preservação funcional e estética da boca.
Cirurgia Convencional
A cirurgia é a forma mais tradicional e eficaz de tratar verrugas orais, especialmente aquelas que são únicas, bem delimitadas ou maiores, além de ser uma maneira preventiva para uma possível malignização.
Realizada geralmente com anestesia local, sedação ou anestesia geral a depender do caso e do paciente, a remoção completa da lesão permite, além do tratamento, o envio do material para exame anatomopatológico, o que é essencial para confirmar o diagnóstico e descartar malignidade. Quando feita por um profissional experiente, essa técnica apresenta baixa taxa de recidiva e recuperação rápida.
Criocirurgia
Para lesões menores ou localizadas em regiões de difícil acesso, a criocirurgia pode ser uma opção, embora não seja muito aplicada na cabeça e pescoço pelo risco de contaminação com os aerossois.
Utilizando nitrogênio líquido para congelar o tecido afetado, o procedimento destrói a verruga de forma controlada. É uma técnica minimamente invasiva, bem tolerada e com bons resultados estéticos, sem a necessidade de cortes ou pontos.
Laser de CO₂ ou Diodo
O laser de CO₂ é uma das abordagens mais modernas e eficazes no tratamento de lesões bucais causadas pelo HPV. Ele permite uma aplicação extremamente precisa, com mínima agressão aos tecidos ao redor, pouco sangramento e cicatrização rápida. É especialmente indicado para múltiplas lesões ou áreas sensíveis, como palato, gengiva e língua. Além de sua alta eficácia terapêutica, proporciona excelente resultado estético e reduz significativamente o desconforto no pós-operatório.
Já o laser de diodo, por sua vez, é uma alternativa igualmente segura e versátil. Funciona através da emissão de energia na forma de luz contínua ou pulsada em comprimentos de onda que penetram mais profundamente nos tecidos. Por isso, é bastante eficaz em lesões menores, localizadas e em áreas com difícil acesso. Além disso, promove coagulação eficiente, o que reduz o sangramento durante o procedimento, sendo uma escolha muito útil em ambientes ambulatoriais. Seu uso também está associado a menor edema e dor no pós-operatório, o que contribui para maior conforto do paciente e rápida recuperação.
Ambos os tipos de laser oferecem benefícios relevantes no contexto das lesões orais associadas ao HPV, devendo a escolha ser individualizada conforme o tipo, localização e número de lesões, além das características clínicas de cada paciente.

Ressecção da lesão à laser

Ressecção da lesão à laser

Cirurgia a laser verruga na língua

Cirurgia a laser verruga na língua
Cauterização Química
Em alguns casos específicos, principalmente em verrugas superficiais, a cauterização química pode ser indicada. Ela consiste na aplicação direta de substâncias cáusticas sobre a lesão, como o ácido tricloroacético, promovendo a destruição gradual do tecido acometido. Apesar de parecer simples, esse tratamento exige controle rigoroso por parte do profissional para evitar lesões em tecidos saudáveis e garantir eficácia. É um método que exige acompanhamento próximo e não deve ser realizado sem supervisão médica.
Importância da Biópsia
Independentemente da técnica adotada, toda lesão removida deve ser encaminhada para exame histopatológico. A biópsia é um passo essencial para confirmar a natureza da lesão, identificar alterações pré-malignas ou malignas e avaliar se as margens de segurança foram adequadamente respeitadas. Essa conduta garante não apenas a segurança do paciente, mas também orienta o seguimento e a prevenção de recidivas, especialmente em casos associados ao HPV de alto risco.
Uma verruga na boca retirada pode voltar?
Sim, é possível que a verruga retorne após a remoção, especialmente quando está relacionada à infecção pelo HPV. Isso ocorre porque, mesmo com o tratamento bem-sucedido da lesão visível, o vírus pode permanecer latente nas células da mucosa oral, reativando-se futuramente e dando origem a novas verrugas.
Por esse motivo, o acompanhamento periódico com o especialista é fundamental, mesmo após a aparente resolução do quadro. Além do monitoramento clínico, também é importante manter medidas de prevenção, como cuidados com a saúde bucal, uso de preservativo em práticas orais, vida saudável (comer bem, dormir o suficiente, fazer atividade física, controle de estresse) e, quando indicado, vacinação contra o HPV.
Pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes vivendo com HIV, transplantados ou em tratamento oncológico, devem ter atenção redobrada. Nesses casos, a capacidade de controle do vírus pelo organismo é reduzida, o que aumenta significativamente o risco de recidiva e pode demandar um seguimento mais rigoroso e intervenções precoces.
Prevenção: como evitar verrugas na boca
A prevenção é o pilar mais importante para evitar o surgimento de verrugas na boca e outras lesões causadas pelo HPV. A principal forma de proteção é a vacinação contra o HPV, que estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos capazes de bloquear a infecção antes mesmo que o vírus entre nas células.
A vacina é altamente eficaz na prevenção dos subtipos de HPV mais comuns, incluindo aqueles associados às lesões orais e genitais, e está indicada para adolescentes e adultos até 45 anos, conforme avaliação médica. A imunização é especialmente importante antes do início da vida sexual, mas também traz benefícios em adultos que ainda não tiveram contato com todos os tipos virais. De forma off label a vacinação é aplicável mesmo para aqueles que já foram expostos ao vírus.
Além da vacinação, algumas atitudes simples ajudam a reduzir o risco de contágio e recorrência:
-
Evitar o sexo oral desprotegido, uma das principais vias de transmissão do HPV na cavidade oral;
-
Não compartilhar copos, talheres, cigarros ou batons, que podem facilitar a disseminação viral;
-
Manter boa higiene bucal e realizar consultas regulares ao dentista ou especialista em cabeça e pescoço;
-
Abster-se do tabaco e do álcool, que irritam e fragilizam a mucosa oral, favorecendo infecções e lesões.
-
Adotar um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado e controle do estresse, é essencial para manter o sistema imunológico fortalecido e ajudar o organismo a combater o vírus de forma mais eficaz.
Com a vacinação aliada aos hábitos preventivos, é possível reduzir drasticamente a ocorrência de verrugas na boca e proteger a saúde da mucosa oral a longo prazo.
Quando procurar um especialista?
Você deve procurar um médico de cabeça e pescoço ou estomatologista se:
-
Tiver uma lesão na boca que não desaparece em 15 dias;
-
Notar mudança de cor, formato ou tamanho;
-
Sentir dor, sangramento ou desconforto persistente;
-
Já tiver diagnóstico de HPV e observar novas verrugas.
O diagnóstico precoce é a chave para tratamentos simples, rápidos e com excelentes resultados estéticos e funcionais.
Agende sua Consulta com a Dra. Christiana Vanni
A presença de uma verruga na boca, embora muitas vezes benigna, exige atenção especializada para garantir um diagnóstico preciso e tratamento seguro. Com ampla experiência em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, a Dra. Christiana Vanni oferece atendimento particular, com foco no cuidado humanizado, prevenção e abordagem personalizada.
As consultas podem ser realizadas presencialmente em São Paulo ou, se preferir, por telemedicina com alcance em todo o Brasil e também no exterior, com a mesma qualidade e atenção aos detalhes.
Com avaliação precoce, tratamento adequado e orientações preventivas, é possível controlar as lesões, reduzir riscos de complicações e preservar a saúde da cavidade oral com segurança.
Entre em contato e agende sua consulta.
Comentários2
João Paulo António
16/12/2025
Bom dia Dra! Espero que esteja tudo bem contigo, eu sou o João Paulo tenho 42 anos de idade, sou Angolano e vivo em Luanda, tenho muito gosto em conhece-la. Dra a mais de 3 meses que venho sofrendo com presença de feridas nas bochechas, na parte interna da boca elas cicatrizam deixam manchas escuras mas depois de algum dias reaparecem, agora evoluiu para o lábio mais de 1 mês que não cicatriza, ja usei varias pomadas como aciclovir, neomicina-bactericida, cloro-hexidina +quitosano. Por favor Dra peço a sua ajuda.
Dra. Christiana Vanni
Tudo bem Joao Paulo, como vc esta? O ideal é avaliar essas suas lesões e a depender, realizar uma biopsia para direcionar o tratamento adequado.
Ilza
08/06/2026
Ola bom dia tudo bem me chamo ilza esses dias saiu algo embaixo da minha língua parece verruga e sinto muita dor ao mastigar o que pode ser...estou preocupada e não consigo usar minha prótese...
Dra. Christiana Vanni
Olá, obrigada pelo seu comentário. Entre em contato com a minha secretária pelo whatsapp (11) 98819-3537. Será um prazer te atender e resolver.
Pergunte para a Dra. Christiana Vanni
Envie suas dúvidas e comentários sobre esse post. Seu e-mail não será publicado.
Texto escrito por:
Dra. Christiana VanniMédica Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço
CRM/SP 120.060 - RQE 31.305
A Dra. Christiana Vanni é Médica Cabeça e Pescoço especialista em cirurgia e tratamentos oncológicos pela FMABC, pós graduada em Cirurgia Robótica de Cabeça e Pescoço pelo Hospital Israelita Albert Einstein, possui título de Doutorado pela FMUSP.
Cirurgia Robótica, Reconstrução e Tratamentos Oncológicos
Excelência em diagnósticos e tratamentos precisos, com técnicas cirúrgicas modernas e tecnologia de ponta.
Atendimento particular nos consultórios da Vila Mariana e Itaim Bibi e também na modalidade on-line, para pacientes em todo o Brasil e exterior. Credenciada nos melhores hospitais de São Paulo/SP, com ampla atuação na cidade.
Perfil: Conheça a Dra. Christiana Vanni
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/0015992915263064
Doctoralia: https://www.doctoralia.com.br/christiana-vanni
Linkedin:
@drachristianavanni